quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Memórias de uma vida.

Hoje passei um bom tempo do meu dia arrumando meu armário, organizando os livros, revendo papéis, relendo textos e cartas antigas. Foi aí que veio a nostalgia. Nostalgia é uma palavra difícil, sempre foi, pelo menos para mim. Enquanto me via no meio dos meus papéis não pude ignorar o fato que muitas coisas passaram por mim. E eu, tão fraca, tão pequena, deixei escapar tantas coisas, deixei que tantas coisas escoassem. Fiquei com uma vontade enorme de voltar no tempo, receber as mesmas cartas, os bilhetes das amigas, os recados dos meus pais quando iam ao mercado pela manhã e me deixavam em casa sozinha. Ali, sentada, com papéis ao meu redor, foi que pela primeira vez, em muito tempo, eu me dei conta que não posso fazer nada para arrancar certas coisas de mim. Se tu me deres um papel de bala em um dia feliz, eu guardarei. Sou paleozóica, e guardo tudo de recordação. O que mais dói é perceber que tanta gente já escreveu tanta coisa para mim, e eu, continuo aqui, imóvel, e o pior de tudo, longe das mesmas. Dói saber que muitos donos daquelas letrinhas sobre o papel foram sumindo, desaparecendo da minha vida. E eu não fiz nada para impedir isso. Deixei que como a correnteza que corre rio abaixo, tudo escoasse das minhas mãos, pelas brechas que não impedi. São frases de amizades, são promessas de felicidade, são juras de amor no papel. Às vezes queria que as palavras saíssem dali, materializassem. Assim como queria arrancar algumas, jogar fora. Mas não consigo, não posso, meu ego não deixa. Talvez porque não consiga ignorar o que um dia já fez parte de mim. Agarro-me as lembranças e me parece tudo tão real... Porque eu sinto, que o sentimento que me liga ao meu passado, e ao meu presente, dessa fase horrível de distância absurda e palavras nulas, ficará para sempre ali, eternizado em palavras. Nessas palavras que guardarei sempre, no meu velho baú verde, debaixo de sete chaves, dentro do coração.

[Maria Isabel]

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