terça-feira, 15 de março de 2011

Ponto de paz, refúgio de luz, amizade aqui, com saudade, rumo ao infinito.

Tratava-se de uma caixa amarela com o símbolo dos Correios em cima da minha cama, com a colcha rosa cheia de corações. Havia o diferencial, um nome conhecido, de alguém que vive em mim. Mal eu sabia que dentro daquela singela caixa poderia haver tantas pessoas, tantos corações, tantas verdades e tanta amizade. Em questão de meses ganhei uma família. Uma família linda, que habitou meu coração. Fizeram-me descobrir que eu não era sozinha nesse mundo. Foram eles os capazes de me mostrar o que é uma amizade verdadeira. Daquela de se guardar debaixo de sete chaves dentro do coração. São pessoas lindas, por fora, e infinitamente belas por dentro. Reconheço meus amigos pelo sorriso, pelo tamanho do abraço. E costumo olhar nos olhos, tentando enxergar o coração. Não poderia ter conseguido amigos melhores. Nunca vi corações tão abertos, dispostos a me acolher. Aceitaram-me, assim que me conheceram foi como se pronunciassem: “Vem morar dentro de mim.” E eu mais do que depressa, fui. Joguei-me no coração dessa gente que enxerga a alma, dessa gente que me traz paz, e torna tudo perfeito apenas com o simples fato de estarem presentes. Eu que até então não conhecia o que era amor de amigo, aprendi com eles. Rir com quem te ama é rir de verdade. Uma brincadeira no bebedor, um pirulito do coração pela manhã, alegrias diárias que nunca passaram despercebidas. E no meio desse amor, dessa cumplicidade, entrou a separação. Tive que me acostumar à idéia de viver sem quem não sabia viver. Essa foi à parte mais difícil. As lágrimas anunciaram o que viria: saudade. Palavra única, que tanto me atormenta, tira-me o sono, e tira lágrimas em levas dos meus olhos. Como dói se despedir de alguém que queremos ficar para sempre ali. Pudesse eu voltar na época dos abraços matinais e das musiquinhas sonolentas. Difícil é abraçar alguém, e ficar tanto tempo sem sentir o cheiro da nuca, o tom da voz. O tempo passou, o buraco deixado pela falta das amizades ficou lá. E sempre ficará. Sinto-me informar. E entre o tiquetaquear do relógio a saudade vem adentrando feroz, volátil, em velocidade acelerada. Coitada dessa saudade, tão burrinha ela junto com a distância, pensou que fossemos deixar o nosso amor de amigo se dissipar pelo meio do caminho. Senta e escuta saudade e distância: somos fortes, e amor de amigo de verdade, é pra sempre. Vocês duas formam uma dupla horrível e triste, mas aqui, no nosso ciclo de amizades, vocês não têm vez, entenderam? Podem ter feito muitos olhos chorarem, muitas lágrimas rolaram, mas o sentimento fica e permanece imutável. Um brinde aos meus amigos e a mim, por nunca termos deixado esse ciclo vicioso destruir a muralha forte e permanente da nossa amizade, com cheiro do mar. Feito a imensidão do oceano, os sentimentos flutuavam naquela linda caixa amarela. Quando abri, sabia que mexeria comigo. Já virou rotina, todo ano as surpresas dos meus amigos atravessam o Brasil para me ver. E não poderia ter recebido um presente melhor. Um álbum com as nossas fotografias, um porco de estimação. Que responsabilidade a minha, ter tanta gente amada nas mãos, e que presente o meu, ter tanta gente maravilhosa no coração. Cada foto, cada palavra reconfortante me faz ver o mundo como um lugar bom. Quando eu chorar, e estiver mal pelas fatalidades da vida, irei agarrar o álbum nas mãos, e sorrir. Sorrir porque aqueles presentes na foto sempre estarão ao meu lado. E mesmo com essa distância cortante se fazem presentes na minha vida. Mesmo longe eles sempre dão um jeito de estar perto de mim. Quando algo é precioso, cuide. Cuide para não perdê-lo, ás vezes magoamos as pessoas, e não saberemos como será o futuro, a culpa e o arrependimento podem nos atormentar. Por isso, cuidem bem das dádivas encontradas no meio do caminho. Meus amigos são minha força. Minha luz por entre a escuridão. Minha segunda família. Nunca esquecerei os abraços, das conversas durante a madrugada, do vento no rosto, do colo acolhedor, das palavras inesquecíveis, dos óculos 3D disfarçadamente postos na bolsa durante a saída do cinema, do milk shake enorme, das flores, do violão preto, das pulseiras, dos colares, dos cafunés. Metade do meu mundo é aqui, dentro de mim. A outra metade minha deposito em cada uma dessas pessoas, porque sei que com elas, estou à salva das turbulências. E a minha entrega é perene a cada uma delas. Quero poder durante muitos anos repousar a cabeça no travesseiro e agradecer a Deus as amizades mais belas e puras desse mundo. Hoje, consigo dizer: a distância e a saudade não destruíram a nossa amizade. Além do mais, terei orgulho em mostrar essa que por enquanto é uma nova caixa amarela aos meus bisnetos, para que eles, assim como eu, tenham orgulho dos meus amigos. Porque eles serão sempre inesquecíveis em mim, e farei de tudo para não perdê-los. Obrigada por existirem e freqüentarem o meu coração. A última nota da autora: amo vocês.

[Maria Isabel]

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