Um leque com possibilidades é aberto em minha direção. Preciso ser sincera ao dizer que não são muitas. Porém, estudo minuciosamente cada uma delas. Levando em conta a concepção dos balanceamentos de vida, tento balancear a minha equação. Ou melhor, a minha situação. Prometi a mim mesma ser feliz onde estivesse. Sinto vergonha ao admitir que esteja falhando nessa tarefa. Não que não esteja feliz, mas acordei tão vazia. Entre idas e vindas, resumo-me forte e inteira. Um pouco maleável e nostálgica. O que me assombra é o meu apego ao passado. O meu passado é tão presente que chega a doer. Não, eu não quero isso. Não quero esperar esperas intermináveis e que nunca chegarão. Não quero recordar o que devo esquecer. Não quero pensar para sentir. Sentir não tem explicação, tornando-se totalmente raro. Quero estar aberta a negociações. A negociação com o meu coração, esse órgão cheio de estrias e celulite. Não posso andar de braços fechados e de olhos vendados. Quero ir até o fundo. Descobrir a beleza da flor. Quero chegar a algum lugar que não conheço. Apreciar a forma, a cor, o tom, o tato do que ainda não sei. Quero brincar com as palavras. Quero construir castelos na areia. Quero partir para o acampamento, e plantar árvores dentro de mim para que elas cresçam com os nutrientes que possuo. Quero ver germinar frutos dentro de mim, livrar-me de uma vez por todas da opacidade e transgredir o brilho. Quero respirar fundo, expirar, e me sentir viva. Andei distraída e fechei meus olhos para a porta que se abriu a minha frente. Quando criança, minha professora nos contava na classe a velha história dos soldados que preferiam morrer ao se arriscar a abrir a porta de ferro, esta que ninguém sabia para onde levaria. Houve um dia em que um soldado desvendou o mistério da porta, abrindo-a. E adivinhe só, ela dava em direção ao sol, a liberdade, a luz. É isso que quero. Não posso, não devo e não vou me reter a conviver com medo da felicidade. Ela pode estar na porta que quero abrir. Não vou ficar aprisionada aos meus medos tolos e recordações chulas. Eu quero mais que isso. Quero que a luz do sol, aqueça a minha alma e o meu coração. A vida está me dando uma chance, para cada fim um novo começo. Já passou da hora de entender isso. Por que não abrir a porta? Por que não tentar? Sem medo, sem compromisso. Com afeto. Fico a espera dos feixes de luz. Não me permito deixar a oportunidade do brilho do sol sobre o meu corpo ir embora. Vamos viver tudo o que há para viver. Por que não dar uma chance para ele? Por que não dar uma chance para você? Por que não recomeçar? Recomeço é esse o meu primeiro passo depois de abrir a porta. Quero a paz, quero mais, quero viver. E acima de tudo, fazer bem ao meu coração. Que seja bom para mim, que seja bom para você. Que a continuação dos fios encapados faisque, aflore, ressuscite. Assim como uma andorinha só não faz verão. Mas sim como o outono vira primavera. E a vida não é uma prisão. Com licença, vestirei minha saia florida, e sairei pelos campos, atravessando portas, rompendo as correntes dentro de mim, e colhendo o néctar doce dos girassóis pelo meio do caminho.
[Maria Isabel]
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