domingo, 3 de abril de 2011

Eu descobri que o amor era mais que só mãos dadas.

Tudo o que restou é vazio e vago. É uma coisa opaca por fora e por dentro. Um objeto sem nome. Alguma citação perdida em álbum papel de rascunho dentro de um livro de uma biblioteca qualquer. Ganha a melodia do silêncio em um corredor de hospital. As noites chegam escuras, conflituosas. Nunca se sabe o monstro que estará à espreita por trás de alguma árvore com musgos. As sombras invadem o quarto, em vão começamos a procura pela luz. Mesmo sabendo que ela apenas virá ao amanhecer. A incidência do que ficou nos prende a um fio invisível, uma teia perigosa, popularmente conhecida como lembrança. A noite é a hora mais difícil para encarar as aparições doentias das corujas, que dormem durante o dia. Parece que quando tem sol lá fora algo consegue tampar aquele objeto sem nome. Mas quando a madrugada chega, assim como as sombras ficam mais evidentes, as lembranças também. Porém, o travesseiro sempre denuncia os pensamentos. Eu digo baixinho o que sonhei para ele. É mais fácil, ele entende. Não é preciso mais sufocar o grito, não existe mais nada a ser dito. Nem pensado. Mas eu penso. E é esse o meu erro. Espero que as águas de março tenham levado embora os segredos para o travesseiro. Já é chegada à hora de me libertar das sombras, e transformar a madrugada em sol. Ao menos para mim. E dando ênfase ao meu coração bobo.

[Maria Isabel]

Nenhum comentário:

Postar um comentário