De longe ainda havia um pouco de sol. O dia raiou, ou melhor, clareou. Lá fora está coberto de frio por toda a parte. Parou de chover, e quando chove sempre me esqueço como ser mais perspicaz. Sou tão solar, e nem lembro que é necessário chover vez por outra. Talvez não seja isso tudo, ou quem sabe eu tenha medo mesmo. Pois quando chove os meus pensamentos saem, e os meus temores vêm me visitar. Vivo dentro de um mundo muito meu, e andei gastando muito esforço para protegê-lo. Sei que calada permaneço oca. E quando falo tropeço em tudo. Sou do tipo dos que transformam o processo emocional em palavras. E por ser tão sincera quando escrevo, mesmo que não seja essa a intenção, ás vezes fere. Mas não dá para viver tomando as dores do mundo. Nunca acreditei que a raiva fizesse algum sentido. E nesses dias nublados a chuva lavou muitas coisas. Deixei ir embora muitos tópicos que não precisavam existir. Se tenho algo inscrito na minha personalidade é claramente não odiar, nem guardar mágoa de ninguém. Coração reciclável e respeito humanitário foram presentes vindos de berço. Não é por nada não, mas guardar sentimentos ruins e pesados dentro causa um peso desnecessário. Entope as veias e impede o ar puro de transitar livremente. Nunca quis algo capaz de me machucar fazendo morada em mim, e quando começo a andar por esse caminho, logo corro para a saída de emergência mais próxima. Porque acredito que as coisas boas vividas devem vir sempre acima das ruins. Deixo o coração limpo, faço rituais de sentimentos bons, guardo o cheiro de lavanda, esqueço os erros, mando embora a raiva junto com a mágoa. O sol não permitiu a escuridão, e eu não permito ser morada de panos encharcados de ódio. Mesmo que você muitas vezes entenda erradas as minhas palavras exageradas, e os meus sentimentos pacíficos. Ainda que você me mate em doses homeopáticas dentro da sua cabeça de cinco em cinco minutos, e dispare tiros contra mim todos os dias. Ou tenha uma visão negra formada sobre mim. Mesmo que a sua vontade seja me jogar de cima de um edifício de vinte andares. Verdadeiramente, mesmo que você me odeie com todas as suas forças... Eu só vim aqui para te desejar um dia lindo, e cheio de luz. Esse é o meu coração puro e falando a verdade.
[Maria Isabel]
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