quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Com essa leve onda de faz de conta, esses brilhos falsos e artimanhas do tempo, apenas agarro o que me é fundamental. Lembrei do Tom Jobim cantando "fundamental é mesmo o amor." E mesmo com todo esse sistema formado, e a cada dia mais os sentimentos e razões programados, permaneço clichê. Outro dia fugi como sempre fujo para a minha confidente, a minha doce e ensolarada amiga dos olhos orientais. Escutar ela falando refresca a alma. E sim, ela sempre tem razão. Assim como me lembrou uma verdade terrível, e aquelas palavras ecoaram por aqui: "Agora pelo menos foi à hora de aprender que ficar com alguém que não gostamos não é o método certo". Longe daqui manipular alguém como fantoche. Jamais farei isso com ninguém. Porém por razões óbvias alguns detalhes vieram à tona. Mas tentei enganar meu coração, não funcionou. Acho interessante analisar essas pessoas que se apaixonam toda semana. Particularmente, não sei como é isso há muito tempo. Tentei em vão procurar borboletas no estômago, vestígios de batidas cardíacas aceleradas. A pulsação não mudava com um beijo demorado, e o coração não apertava toda vez que ia embora. Na verdade, o meu coração nunca acelerou como uma turbina quando o via de longe, de perto, e muito menos ao meu lado. Coloquei para tocar músicas velhas, bregas, e acima de tudo, românticas. E nada da paixão chegar. A danada se escondeu de mim. É claro que sempre adorei a companhia, as risadas, as conversas. Mas meu coração prendeu a paixão, e acima de tudo, o gostar de alguém. Meu sistema emocional (alarmante) não me permitiu a entrega. Não fui capaz de construir um castelo para abrigar alguém diferente. Obriguei-me a começar entrar em um estado de gostar, ninguém sabe, mas eu pedi baixinho aqui no travesseiro para conseguir gostar. Ao menos um pouco, e nada. Deu falha, perdi as chaves. Meus pensamentos não foram permitidos. E não existe controle remoto que acenda o verdadeiro sentido de gostar de alguém. Caso saibam, avisem-me. Tentativas em vão. Não senti a Terra parar de girar, nem as estrelas cantaram uma canção. Vai ver desaprendi o jeito. Coloco a culpa no meu passado imperfeito. Tomara que os ventos de agosto, que tanto os estimo, tragam essas doses de amor para minha vida. Sinceramente não existe programação, calendário que mude quando lá no fundo, sabemos a resposta. Nem adianta remar contra a maré. Mas meu coração foi bom (dessa vez ganhou bônus) e não me deixou cair em um estado de afeição profunda por ele. Agradeço o tempo todo depois dessa tempestade por nunca ter me apaixonado, nem gostado do que acabou de trilhar a minha estrada.

[Maria Isabel]

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