É
claro que as convicções sobre o recomeço, tentar buscar coisas novas, expandir
os horizontes foram aceitas. Assim como sabia perfeitamente o que era melhor
para mim, sobre aquilo que me faria bem. Mas quem disse que seria o certo? O
cérebro, o córtex ou a razão? Ah, esses são todos uns miseráveis, sabem nada de
nada. Quem é que entende o jeito certo, a tentativa correta? Eu não gosto
dessas coisas nenhum pouco. Gosto de situações e sentimentos claros, mas esse
jeito que parece certo e bom na verdade é o jeito que queremos que ele seja. Porém
nem sempre é. Sou sensitiva, e facilmente intuitiva. E se tivesse seguido meus
palpites desde o começo, tudo teria sido um mar de rosas.
E
toda aquela história sobre ser o certo nada mais é do que o alcançável. Em
minha leiga concepção a maior furada é deixar o coração longe dessas decisões.
E o meu nunca quis o alcançável, pois sempre o achou meio piegas. Sempre quis
vulcões em erupções, mas meu cérebro patético deu valor aos vulcões
adormecidos. Minha razão é a pedrinha debaixo do pé, ali alojada no calçado.
Sempre jogo ela fora e fujo procurando abrigo nos pressentimentos. Existe alguém tão sensitiva quanto eu?
Pois uma vez a Tati Bernardi escreveu em letrinhas
miúdas: “Só quem tem o
poder de te fazer sentir viva, pode fazer você se sentir morta. Só quem arrepia
cada centímetro do seu corpo e faz você sentir o sangue bombear num ritmo
charmoso, é capaz de estragar o mundo quando parte.” Acredito e continuo
acreditando nessas palavrinhas. Pois eu sei que não é uma garoa fina a
responsável pelo crescimento da horta, mas sim uma chuva de verdade. Assim
acontecem com as pessoas que nos tocam. Não será aquele sorriso forçado, nem as
palavras escassas donos das lembranças eternas. Entretanto o ritmo
descompassado da respiração e os sorrisos enormes esboçados pertencerão àqueles
capazes de desorganizar a muralha construída só para construir junto conosco
novamente. E a lição que eu aprendi é simples, a razão nunca fez parte de mim,
porque, antes de tudo, eu não penso antes de agir. Eu sinto. E a demora externa nada mais
é do que a minha teimosia com meus sentimentos escondidos. Eu apenas sinto
enquanto estou agindo (sem saber o porquê). E explicação nenhuma isso requer. O
meu coração entende, ele sempre entende (mesmo que nunca me explique).[Maria Isabel]
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