terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tem espaço de sobra no meu coração. Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão.

Aquele espaço no meu peito que ainda acredita em contos de fadas e finais felizes, finalmente despertou. Depois de muito tempo adormecida à esperança ressuscitou. Comecei a andar olhando para o céu e brincando de equilíbrio nas margens das calçadas.
Como no momento do suspense em um filme qualquer, começamos a roer a unha e esperar ansiosamente pela cena seguinte. Há tanto tempo eu estava dentro de um filme desses. Daqueles filmes que não sabemos o que acontece, mesmo estando inseridos neles. Onde as dimensões estão fora de projeções e longe dos nossos limites. Quem dera estender a mão e mudar o roteiro. Mesmo sendo esse o meu desejo desde o início.
Das minhas observações e olhares cuidadosos para ninguém perceber, foi o ápice do que ainda estava por vir. Curvei-me ao acaso e deixei o barquinho fluir na correnteza, assim como o Caio me ensinou.
Depois de ir dormir noites seguidas cansada de construir e ver fantasias serem desfeitas na minha frente, eis que a vida me sorri. Um sorriso tímido e de longe, mas com ramificações infinitas. E sabe-se lá por que, um dia desses, o destino, Deus, as linhas imaginárias ou qualquer outra força capaz de mudar os caminhos, fez com que duas estradas se cruzassem.
Gosto de pensar que quando desejamos algo com muita força acaba acontecendo. Mas não basta desejar. O segredo é acreditar, acreditar e agarrar-se a todo e qualquer fio de esperança solto no espaço.
O que não tinha nada para ser, foi. Foi lindo como o pôr-do-sol que se seguiu. Tem sido muito fácil viver dentro de mim nos últimos dias. Coração bate em uma melodia suave, uma canção, um solo de violão.
A sensação de paz não me larga. Há pouco estava realizando experiências químicas, quando doces olhos castanhos encontraram os meus. E todas aquelas histórias de os opostos se atraem não fizeram sentido algum. Não para nós.
Em um dia lindo da primavera, o botão da primeira flor do meu jardim se abriu. Os dez minutos mais doces já vistos. Não teve alarme algum, pressão nenhuma, agora ou nunca algum. Houve a sincronia de pensamentos e o querer igual. Não existiu barulho esquisito nem orquestra ensaiada. No brilho eterno do sol se pondo, se fez ouvir apenas o nosso silêncio, que durante muito tempo disse tudo, sem dizer nada. Mas logo entendemos que o nosso silêncio foi o único elemento importante para a maravilha suceder, e o presente que nossos corações puderam escutar. Até agora não sei se vivi ou se sonhei. Mas é do seu abraço apertado na esquina e das minhas pernas bambas e borboletas em trânsito constante dentro de mim que ainda lembro.
Permaneça, por favor.

[Maria Isabel]

Nenhum comentário:

Postar um comentário