quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Das cinco letras do seu nome que eu quero juntar com as onze letras do meu.

"Isso aconteceu de repente. Quando me dei conta, já estava aqui. (...) Essa coisa que me impede de mudar de rumo, mesmo quando o mapa indica um caminho diferente dos passos que você dá. Isso. Essa rua deserta, sem carros ou faróis, que eu nunca atravesso porque estás do lado de cá. E com você cá, como é que eu posso partir pro lado de lá? É isso! Tem uma faixa de pedestres convidativa no meio da rua e minhas pernas travam. Só atravesso se você atravessar. Isso, que sequer fazia mais parte das minhas crenças e que agora me faz crescer. (...) Que quando reprimo, dói. Que assisti em casa como se fosse simples, e não é. Que me tira o tino e me enche de vazio porque só as cinco letras do seu nome me preenchem. Falo desse treco que engole minhas palavras e me deixa frágil. Disso... do amor. De nós. Nós cegos. Isso que é aquilo que Cazuza chamou de "destinos traçados na maternidade", eu sei. Sabemos."


[Flávia Queiroz, adaptado]



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