"Me foge a melhor forma de começar. Bem, não sei dizer se naquela época precisava de um porre ou um novo amor. Acabei não tomando o porre, mas o ano novo acabou trazendo o amor. A princípio, somente um cara que começava a conseguir perturbar os cantos dos meus lábios. Sem diferenciar o que sentia, apenas me permiti sentir. Dia após o outro. O resultado? Manhãs sorridentes, juntamente com aquele constante frio instalado na barriga. Eu li e te reli. Entendendo muitos dos seus milhares de textos falando sobre. Soltei mesmo o mundo para segurar aquela mão. Me joguei, sem saber onde iria cair. Vivi. Escrevi sobre olhares, sobre presença. Sobre merecer. Sobre afastamento. Até o dia que senti saudade. Aquele tipo irracional de saudade. Lá estava você, me ajudando a dizer o que sozinha não conseguia. Queria chegar perto, olhar nos olhos e dizer o quanto ele valia. Mais uma vez, te lendo, pude me ler. E lá, mais uma vez, estava. Você me ajudou a conseguir presença. O ajudou a perturbar, de novo, os cantos dos meus lábios. Você colocou palavras na minha boca, vezes e vezes. Em todas as vezes que a inspiração me faltava, algo seu me ajudava. Consegui querer, sentir, ter. E então veio agosto. Agosto passou sem muito desgosto. A verdade é que eu viveria em agosto, se pudesse. No final das contas, não foi agosto que arrancou meus sorrisos. Foi setembro. Setembro se arrastou, e o levou. Não consegui dizer nada. Ou disse tudo, sem que valesse - realmente - alguma coisa. Seu timing, como sempre, foi perfeito. O lendo, consegui pensar no desapego. Você me ensinou a não desistir, mas para me amar em primeiro lugar. Falou sobre a dor que sambaria no meu peito. Me convenceu a sorrir. Me falou sobre novembro trazer os sorrisos que outubro me roubou. Confesso, fez sentido. Em meio a tanto choro e tristeza você disse que haveriam pessoas perto. Haveriam abraços, beijos sinceros. Me lembrou que os que sentem falta, procuram. O que me fez insistir nele. Pois é, Caio. Posso ter pensado haver duplo sentido. Sem me tocar que eu é que deveria ter feito falta. Tentei, sem muita resposta. Nem nenhum resultado positivo. Mas, tentei. Me permiti viver, e se o preço a se pagar é sentir, que seja. Fui do luxo ao lixo, mas você tem razão, ainda estou aqui. Desistir não foi mesmo nada covarde, como você falou. Por incrível que pareça, desistir foi meu ato mais corajoso. Enquanto isso, a dor ainda samba. Mas, já não me incomoda tanto. Ela vai passar. O tempo vai passar, como setembro e outubro passaram. O ano novo vai chegar. Vai ter fé, vai ter amor. Caso contrário, não exitarei em inventá-los. Não importando o que aconteça, nem que eu tenha que repetir sete vezes, será doce. Daqui pra frente, as manhãs - tardes e noites - serão incrivelmente doces."
[Texto "Para Caio", da doce J. Wendling]
Nenhum comentário:
Postar um comentário