Queria te falar das tantas ruas
nas quais andei, dos diferentes lugares que pisei, e dos rostos encontrados
pelo caminho. Sem procurar, e sonhando encontrar, eu te encontrei pelo mundo.
Queria lembrar as vezes que brinquei
com meu pé na areia da praia enquanto a onda vinha, molhava a ponta dos meus
dedos, e recuava deixando aquela espuminha branca, e os grãos de areia a
acompanhavam, e logo voltavam para o ponto de partida. Queria te falar nas
muitas vezes em que assistia o trajeto natural das ondas e sonhava com um amor
assim, tão profundo e cheio de urgências como o oceano.
Queria te falar abertamente sobre os
meus sonhos de menina em frente ao mar, como esse que acabei de descrever. Não
sei sonhar pequeno, sonho no limite onde o oceano encontra o céu, e o céu
interpola o firmamento, só sei sonhar com infinito, com tudo o que é mais além
do que murmúrios e barcos que não saem da areia.
Queria te contar dos sonhos de andar
de mãos dadas na praia, e no velho clichê da foto em frente ao mar no colo.
Desculpa, mas eu tenho alma grande.
Queria demonstrar o meu entusiasmo diante
das estrelas, e da velha alegria em contá-las uma por uma com alguém especial
ao meu lado. E de tanto sonhar, de tanto querer e de tanto acreditar... A
vida me apresentou você. De perto, de longe ou tanto faz o rapaz com a alma
mais linda que já conheci. De uma espécie rara, de um gênero com cheiro de colo
de mãe. Junto com ele veio à dúvida, o impacto em imaginar se logo eu, pequena
e sem muito mais do que minha fé na vida para lhe oferecer, seria merecedora de
alguém assim.
Mas ele não sabe que a sua imagem
sempre acalma a minha mente onde quer que eu esteja. Nem sonha que nunca vou
esquecer a primeira vez que me viu chorar (mesmo sendo de alegria) e o quanto o
abraço dele após a realização de um sonho meu foi significante. Pois sem os pés
no chão, como naquele momento, sei que posso voar para te encontrar onde quer
que esteja. Pois foi a tua mão que me conduziu até lá, mostrou-me o caminho
para acreditar, e me deu a fé em mim mesma que eu não tinha.
Eu queria lhe agradecer pelas vezes em
que me olhou com seus olhos calmos e me enxergou melhor do que realmente sou.
Fez-me acreditar que ainda sou capaz de trilhar a estrada que meu coração
mandar. Você me devolveu a fé em mim, e no amor. Obrigada por tudo.
Quando você chegou, eu não sabia pra
onde ir, mas a tua luz me iluminou e foram as tuas mãos que seguraram as minhas
e me tiraram do fundo do poço que arquitetei e construí com as feridas antigas
que guardava.
Foi você quem me disse que o meu
próprio coração era um lugar bom para se viver. Dos teus olhos saíram às
respostas para os meus sonhos em frente ao mar.
Escrevo-te para poder ocupar pelo
menos um pedacinho do teu coração, pois no meu, tu cresces a cada dia mais.
Escrevo-te pra segurar a tua mão, e sob nenhuma hipótese te abandonar. Pois foi
a tua voz que me trouxe de volta à esperança e me apresentou a verdadeira
beleza do mundo.
Queria lhe contar do teu poder, da tua
força. Não há mais buracos, não há mais cicatrizes. Desculpe-me ter
menosprezado tantos poetas, porém foi o seu toque na minha pele que apagou
todas as cicatrizes que insistiam em permanecer.
Quero sempre ver o teu sorriso e
acreditar que ainda posso fazer alguém feliz. O mesmo sorriso no escuro que me
destes debaixo da árvore, ou o mesmo sorriso que esboças assistindo os filmes e
a novela água com açúcar que tanto gosto só para me fazer feliz.
Queria encontrar algo para retribuir
tudo o que me destes com a tua presença. Queria te pedir perdão pelos meus
medos bobos e sentimentalismo exagerado.
Queria te agradecer por não ter
abandonado o barco nenhuma vez e sim, sentado ao meu lado e continuado a remar.
Com lágrimas nos olhos, só queria lhe
pedir uma coisa. Nunca duvide do que eu sinto, e do quanto você me faz querer
ser uma pessoa melhor a cada amanhecer para merecer estar ao seu lado. Fita os
meus olhos, lê meu coração e veja como eles falam. Encontrar você pelo mundo
foi a resposta que o mar me deu quando me viu pedir almas grandes.
[Maria
Isabel]
Lindo!!! De verdade
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