terça-feira, 26 de junho de 2012

Por onde andei.


   Senti saudade desse mundo seguro das palavras. Meus dedos sentiram falta de escolher as letras ao escrever, e, sobretudo, das músicas da lista de reprodução, a mais calma possível. Não lembrei ao certo como recomeçar a escrever. Há alguns meses deixei de lado o ofício por falta de tempo ou falta de perseverança para encontrar tempo. Por oras, só escrevo de madrugada. Tenho minhas teorias sobre a profundidade nas madrugadas. Mas não é sobre isso que venho falar.
   Meu refúgio encontrei no alfabeto, como uma rocha. Nunca seria capaz de abandonar. Escrevo para não explodir, sucumbir, e espalhar pedaços pelo chão. Escrevo para me manter inteira nessa multidão de catástrofes. Bordo palavras por me sentir pequena no tecido de um coração permanentemente ligado ao meu.
   Aqui no meu cantinho tem cheiro de colo de avó, bolacha caseira saindo do forno, estórias antes de dormir. Não sou julgada, sou livre para sentir, rir, e até mesmo chorar enquanto escrevo. Lugar este onde posso transparecer, olhar-me no espelho e conseguir colocar tudo para fora, sem ninguém para levantar uma placa me impedindo, ou dizer, cuidado, não toca aí.
   Pois tudo o que mora em mim é vasto, e precisa de cuidado. Há pouquíssimas pessoas permito que me vejam inteiramente. É preciso muito cuidado ao mostrar o que carregamos a qualquer pessoa. Deixo aqui uma parte, um retrato de várias partes de mim fotografadas pelas lentes de minha câmera, e com imagens inéditas do meu coração. 

[Maria Isabel]

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