Senti saudade desse mundo
seguro das palavras. Meus dedos sentiram falta de escolher as letras ao
escrever, e, sobretudo, das músicas da lista de reprodução, a mais calma
possível. Não lembrei ao certo como recomeçar a escrever. Há alguns meses
deixei de lado o ofício por falta de tempo ou falta de perseverança para
encontrar tempo. Por oras, só escrevo de madrugada. Tenho minhas teorias sobre
a profundidade nas madrugadas. Mas não é sobre isso que venho falar.
Meu refúgio encontrei no alfabeto, como uma
rocha. Nunca seria capaz de abandonar. Escrevo para não explodir, sucumbir, e
espalhar pedaços pelo chão. Escrevo para me manter inteira nessa multidão de
catástrofes. Bordo palavras por me sentir pequena no tecido de um coração
permanentemente ligado ao meu.
Aqui no meu cantinho tem cheiro de colo de
avó, bolacha caseira saindo do forno, estórias antes de dormir. Não sou
julgada, sou livre para sentir, rir, e até mesmo chorar enquanto escrevo. Lugar
este onde posso transparecer, olhar-me no espelho e conseguir colocar tudo para
fora, sem ninguém para levantar uma placa me impedindo, ou dizer, cuidado, não
toca aí.
Pois tudo o que mora em mim é vasto, e
precisa de cuidado. Há pouquíssimas pessoas permito que me vejam inteiramente.
É preciso muito cuidado ao mostrar o que carregamos a qualquer pessoa. Deixo
aqui uma parte, um retrato de várias partes de mim fotografadas pelas lentes de
minha câmera, e com imagens inéditas do meu coração.
[Maria Isabel]
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