Quando
esqueci quem eu era foi de fato quando lhe encontrei. Talvez encontrar não seja
a palavra certa até mesmo porque eu nada procurava. Mas aí você apareceu e me
fez viver – até mesmo indiretamente – dias memoráveis. Ah, se não fosse você...
Caso eu não tivesse esquecido meus
olhos sobre você talvez nunca tivesse compreendido como se sentem aqueles que
esperam por um olhar durante horas. Você me concedeu a espera, a paciência
necessária e a ansiedade que fazia minhas mãos partes avulsas do meu corpo, e o
meu coração inflável que oscilava apenas com sua chegada.
E nesse meio termo entre o anonimato
e a esperança de ser vista, você me viu como alguém que chega sem causar
alarde, mas que agora deixa, feliz ou infelizmente, um pedacinho meu aí dentro
de ti. E vice-versa.
Se não fosse você não haveria
estratégias para chegar mais perto. Mas contigo veio a certeza que encontros e
desencontros ocorrem o tempo todo independente da nossa vontade.
Se não fosse você não haveria aquele
dinheirinho guardado dentro do fundo falso do meu armário para o caso das
passagens de ônibus de emergência quando a saudade se tornasse intolerável (e
que se dane se preciso fosse aturar o senhor pigarreando ao meu lado às sete da
manhã falando sobre a inflação). Se não fosse você não haveria as viagens de
última hora, nem eu sem a menor noção sobre qual cidade e lugar iria dormir,
apenas para lhe ver no outro dia.
Se não fosse você eu não teria
descoberto tantas coisas guardadas em mim que eu nem sabia que existiam. Se não
fosse você talvez não fossemos tudo que somos e eu não teria me tornado metade
do que sou.
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