domingo, 30 de janeiro de 2011

Pureza.

A chuva cai lá fora, e eu posso ouvir os seus pingos pousarem no telhado. Então, apenas respiro baixo, e aquela vontade de rabiscar palavras me inunda, como uma enchente. Sou assim mesmo, amo escreve com chuva na janela. As gotas de água mal começam a cair do céu, a minha mão coça, e os meus instintos pedem uma folha de papel em branco. E sendo a chuva transparente, eu vou colorindo minha vida com minhas palavras. E eu sei que esse costume irei carregar comigo sempre. Pois eu bem sei, que a minha vida secreta é feita de palavras, frases, orações, períodos, parágrafos, textos inteiros, páginas sublinhadas. E assim vou escrevendo minha história, com meus próprios dedos no infinito.

Estou em processo de desintoxicação. Vou por meio das palavras tirando as toxinas dentro de mim. E essa chuva caindo nas árvores, apenas serve para mostrar o quanto é bom estar limpa, isenta de sentimentos ruins e que tragam infelicidade.

Minha vontade é de escancarar a porta da sala e tomar um gigantesco banho de chuva. Deixa, deixa a água levar tudo de mal embora. Deixa as coisas ruins irem por água abaixo. Limpa esse coração. E assim eu coloco as toxinas na correnteza das palavras... Faz bem lavar a alma, lavar o coração.

Agora, eu quero muito espaço para as coisas boas entrar, quando a chuva passar, o vento vai soprar forte e fundo enchendo minha vida de folhas de esperança. E aqui dentro de agora para frente vai ser tudo em letra maiúscula. Irá entrar emoções grandes, pessoas largas, sentimentos enormes, amor incalculável, amizades incondicionais.

Brilha a alma, brilha o sorriso. E por detrás das quatro paredes do meu quarto, eu sei que vou dormir com a minha imagem dançando na chuva, sonhando e rindo no meio das gotas de água, sonhando com um futuro lindo e repleto de alegrias. Agora, respirar me faz cócegas, e em forma de prece, eu agradeço. Deus, como é bom viver!

[Maria Isabel]

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