sábado, 26 de março de 2011

E na sua cabeça você sente o que não era pra você sentir.

Frágil, continuo andando em círculos. Mecanismos automáticos me movem. Situações imediatas, vontades dramáticas. Dou meia volta e desisto. Se eu avançar vou me estabancar em pedaços mais uma vez. Dou meia volta e recuo. Que perversidade a minha. Escondo relíquias no armário, embaixo da velha blusa desbotada. Dou meia volta e avanço. Jogo-me, sem medo de molhar o rosto depois. Abro lentamente as folhas, e o envelope branco. Espio. Fecho. E volto a abrir. Posso me emocionar com alguma coisa dita, mas certamente chorarei com algo escrito. E palavras escritas são como uma bofetada em mim. Chorei. Não foi um choro com soluços, nem com dor. Foi um choro nostálgico. Lá veio a melancolia batendo a minha porta novamente... Foi um choro de adeus. Um adeus que minhas próprias mãos registraram no papel. Uma incompreensão absurda dos degraus da escada vencidos, e do rolamento rápido e brusco. Como o estalar do fogo arrebatador até as cinzas. Chorei pelo que senti. Chorei porque foi tudo tão único e me pesa. Inédito, sem bis. Porém, tento matar os restos, mas fica o antídoto mais poderoso e que nunca será capaz de matar o que você não esquecerá. Foi catalogado, e virou gelo-seco, mas sem sublimação. Entendo minha nostalgia. Entretanto, há muito tempo sei que o espetáculo acabou. O palco ficou vazio. E a cortina se fechou, sem aplausos. É desse modo que descrevo meu coração.

[Maria Isabel]

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