Não existe luz estranha, barulho esquisito no peito, nem soco no estômago. Afinal, as nuvens escuras fizeram partida há muito tempo. Como uma enxurrada de água, que causa desastres. Mas depois, tudo volta ao normal, e os pássaros saem dos seus determinados esconderijos para apreciar o sol. É exatamente esse o produto final logo após o final de uma dor. Li em algum lugar, palavras que não poderiam ter saído de outro lugar, se não da mente do Caio: “Doer dói, e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa.” A lição essencial retirada dessas viradas bruscas da vida é vulneravelmente a convicção sobre os sofrimentos serem necessários, e de um jeito ou de outro, ajudam na formação pessoal de cada um. Mas sabe esses sofrimentos adicionais? Ah, esses sim não resultam em nada. São lembretes que esquecem de lembrar que sofrer por algo que não existe é desnecessário. Deixemos para sofrer por sentimentos reais, por almas boas, e que valham à pena. Dito e certo: coração pequeno, sofrimento ralo. O que esperar de pessoas que prometem mundos e fundos, e são ocas por dentro? Errado é aquele que fala certo, e não vive o que diz. Por trás desse universo de aparências sujas, a vida é preservada. Já me deixei enganar por sorrisos rápidos e palavras ao vento. Já senti socos dentro do peito, e chorei escondida baixinho, pra ninguém ver. Veja bem: pés na bunda apontam novos começos. E para ser bem clichê, amadureci sim, e fiz do fim um recomeço. Senti até orgulho de mim, por oras. A poeira acumulada apenas indica que existe sempre uma possibilidade a espreita. E a certeza de que afinal amanhã é outro dia.
[Maria Isabel]
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