Como em uma decisão difícil optamos pelo caminho seguro, pelo caminho mais fácil e alcançável. Desses mundos e fundos, escolhi o caminho óbvio, o iluminado. Veja bem, o que parecia fácil foi difícil no instante exato, e nos minutos que passaram também. Posso dizer que havia um espaço enorme, um castelo com luxuosos cômodos, diamante, música francesa de fundo, e lareira com madeira reflorestada. Porém, por mais que nos esforçamos para fazer com que a alegria seja duradoura, encontramos uns espinhos enormes pelo caminho. Uma onda de azar, o jeito certo de a vida mostrar que o que queremos, nem sempre é o que merecemos e podemos ter, ah, foi-se embora o fogo da lareira. Tão desafiador conviver com as cinzas. Existia cada coisa bela. Eu falo desses sentimentos puros, desses sorrisos ao ver o outro sorrir, do largar tudo para encostar-se ao outro ombro. Onde a má fé não faz morada. Talvez não tenha sido amor, não sei definir. Algo parecido com, eu estou aqui por você e por mim, e não me faça desistir. Todavia, as grades se fizeram presentes. Veio a guerra e restaram as ruínas... Só quem sente os seus sonhos tão doces, e com gosto de hortelã ir rio abaixo sabe do que estou falando. Perdemos o chão quando colocamos nosso coração na mão de alguém, que depois nos entrega extirpado. É um trabalho enorme jogar fora tudo. E não adianta reciclar. Reciclar sentimentos antigos é sofrer mais ainda. E dessas ruínas não sobraram quase nada, além de olhos vermelhos durante muito tempo, e as perguntas óbvias do fim. Achei ridículo ter medo do escuro, digo, do escuro de um coração oco, vazio e despedaçado. Esqueci de dizer que não tenho limites com as palavras, não sabia o que fazer com a encomenda a minha porta, ter o tudo do nada que restou em minhas mãos... Mesmo assim, já era chegada à hora, o castelo desmoronou, e eu guardei cada pedacinho em um cubículo, em uma despensa minúscula, daquelas que com muito esforço, um rato atravessa. Conquistei meu espaço de volta, e lhe guardei num canto escuro, mas vez por outra, na maioria das vezes quando chove, começam uns cochichos. Vou até o cômodo quase inexistente, dou uma olhada, e sei que não vale a pena, que é inútil. Aquela voz fina e latente em minha cabeça quase não existe mais, fico feliz por isso. Depois de muito tempo no calabouço acabei descobrindo que a cada mudança de estação as flores mudam, e eu, teria de mudar com elas. Outra coisa que me dei conta é a perplexidade da vida diante dos fatos. É o grito que me chama para viver. Mesmo com alguns poços, e marcas, o relógio não para. E quando uma pontinha de felicidade surge devemos nos agarrar a ela com todas as forças, mesmo com cômodos em alguns lugares... Olha logo esses espaços esbaforidos vão embora... Nem dói mais. A cada pôr-do-sol carrego a certeza que amanhã é outro dia. Vou ocupar o lugar que me cabe naquele cavalo branco ao relento...
[Maria Isabel]
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