Quando eu era criança, dessas bem curiosas e
com olhos do tamanho do mundo, descobri em um jardim perto de uma praia na qual
eu visitava na época uma pequena flor vermelha junto com muitas outras, que continha
um cabinho no meio e quando era explorada saía uma tirinha vermelha, com um
líquido o qual eu o intitulava na época por “gosto de açúcar”. Apenas sabia que
o gosto era bom, e o melhor era poder compartilhar ele com os pássaros. Ia
visitar sempre aquelas flores, tão simples, bonitas e frágeis. No decorrer dos
anos percebi que havia mais dessas pequenas flores vermelhas com gosto de açúcar.
No meu cérebro de criança associei a flor adocicada com a felicidade. E dez
anos depois uso a mesma flor que me trouxe tanta alegria na infância, para
falar sobre a felicidade que tenho agora.
Olha, vou confessar que quando descobri a
flor não contei para meu pai, nem para minha mãe ou para qualquer outra pessoa
que pudesse vir a roubá-la de mim. Mas, presta atenção. Lá no comecinho, eu não
falava de você pra ninguém, não por egoísmo, mas medo de perder o doce da vida.
Talvez por ser apegada demais a felicidade e sentir medo que ela desapareça. Traços
da minha personalidade ligados a melancolia e ao medo de perder tudo o que faz
meu coração vibrar não são fáceis de lidar, até para mim, ou melhor,
principalmente para mim. Meu coração nunca ficou tão cheio de glicose como nos
últimos meses. Tudo bem, eu dou um caminhão de balas no seu aniversário, se
você quiser. Mas antes de qualquer flor no mundo murchar queria que você
soubesse que o meu coração que se abre com sorrisos doces, esse sim, a chave
está aí com você.
Às vezes na vida, mas para ser bem sincera,
as coisas mais importantes acontecem através de coisas simples. Apenas as almas
cheias de luz espalhadas pelo mundo conseguem extrair a felicidade de pequenos
momentos.
O abraço no fogão ou enquanto eu lavo louça,
quando deito a cabeça no seu peito e fico escutando sua respiração, quando me
calo pra escutar você tocando minhas músicas favoritas, você me chamando de
linda mesmo eu vestindo um jaleco imundo, você na janela, a nossa primeira foto
ao lado da minha cama, o seu costume de almoçar e depois beber suco, o jeito de
espalhar o creme de barbear. São pequenas coisas que se transformaram com o
tempo nesse enorme sentimento, com o qual coloquei em meu coração, abri as
portas, as janelas, aumentei o quintal para que tivesse espaço suficiente para
você morar, e nunca ter motivos para partir.
Aliás, não queria me demorar muito,
felicidade é estar em paz, e me desculpa o clichê, mas poxa vida, felicidade
sem ti é um preço alto demais, o qual não imagino a possibilidade de existir. Antes
que eu me esqueça, os dias sem você são todos assim: cinzas, ásperos, desconfortáveis
e terrivelmente ácidos. Olha seu moço
pode esquecer tudo, mas anota aí no coração, no cérebro ou faz uma tatuagem no
corpo, só não esquece uma coisa: “você é a flor com gosto de açúcar da minha
vida”.
[Maria Isabel]
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