sexta-feira, 17 de maio de 2013

Natureza Emocional

Longe de minhas intenções querer assemelhar-me a um biólogo ou até mesmo ecologista enquanto escrevo. Mas peço autorização para utilizar dois termos científicos tão presentes na natureza: o parasitismo e o mutualismo. Acerca dessas duas expressões apenas sei que caracterizam relações ecológicas em que uma espécie parasita associa-se a outra, causando-lhe prejuízo, e a relação de união em que as espécies envolvidas obtêm benefícios, respectivamente.
E antes de mais nada trago esses conceitos para a natureza emocional, essa mesmo a qual estamos inseridos, sobretudo a da amizade. É necessário olhar com outros olhos aqueles que aparecem quando precisam ou estão ali apenas nos momentos felizes. Assim como é preciso um olhar atento e a longo prazo sobre aqueles que estão sempre ali, mas nunca transmitiram confiança.
Abrimos a porta de nossas casas, oferecemos nosso ombro, nossos ouvidos e todo o nosso coração para o outro. Mas um belo dia nos deparamos com um cenário de destruição, onde o rancor, o ódio, a falsidade e a falta de consideração são os elementos principais. Oferecemos o melhor de nós, ajudamos o outro a levar uma vida mais feliz, enquanto a intenção dele é que a nossa vida seja cheia de dores. Configuram nesse quadro os chamados parasitas, para os quais oferecemos nossa amizade e confiança e nos retribuem com tristeza e humilhação.
Nunca enxerguei claramente a maldade nos olhos de quem cruza o meu caminho, mas precisei aprender. Não quero acordar e perceber que a amizade verdadeira é um sonho utópico, pois tenho prova concretas e reais de sua existência. Apenas quero fazer parte e ser capaz de enxergar o mutualismo nas relações humanas por meio da amizade. Compartilhar alegrias, estar presente na tristeza, dividir a dor quando esta for pesada demais. Basicamente, oferecer o melhor de mim e ser presenteado com um lugar bonito no coração do outro.

[Maria Isabel]

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