Longe de minhas intenções querer
assemelhar-me a um biólogo ou até mesmo ecologista enquanto escrevo. Mas peço
autorização para utilizar dois termos científicos tão presentes na natureza: o
parasitismo e o mutualismo. Acerca dessas duas expressões apenas sei que
caracterizam relações ecológicas em que uma espécie parasita associa-se a
outra, causando-lhe prejuízo, e a relação de união em que as espécies envolvidas
obtêm benefícios, respectivamente.
E antes de mais nada trago esses conceitos
para a natureza emocional, essa mesmo a qual estamos inseridos, sobretudo a da
amizade. É necessário olhar com outros olhos aqueles que aparecem quando
precisam ou estão ali apenas nos momentos felizes. Assim como é preciso um
olhar atento e a longo prazo sobre aqueles que estão sempre ali, mas nunca
transmitiram confiança.
Abrimos a porta de nossas casas, oferecemos
nosso ombro, nossos ouvidos e todo o nosso coração para o outro. Mas um belo
dia nos deparamos com um cenário de destruição, onde o rancor, o ódio, a
falsidade e a falta de consideração são os elementos principais. Oferecemos o
melhor de nós, ajudamos o outro a levar uma vida mais feliz, enquanto a
intenção dele é que a nossa vida seja cheia de dores. Configuram nesse quadro
os chamados parasitas, para os quais oferecemos nossa amizade e confiança e nos
retribuem com tristeza e humilhação.
Nunca enxerguei claramente a maldade nos
olhos de quem cruza o meu caminho, mas precisei aprender. Não quero acordar e
perceber que a amizade verdadeira é um sonho utópico, pois tenho prova
concretas e reais de sua existência. Apenas quero fazer parte e ser capaz de
enxergar o mutualismo nas relações humanas por meio da amizade. Compartilhar
alegrias, estar presente na tristeza, dividir a dor quando esta for pesada
demais. Basicamente, oferecer o melhor de mim e ser presenteado com um lugar
bonito no coração do outro.
[Maria
Isabel]
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