Qual é o tempo entre a chegada e a partida de
um trem na estação? Quantos segundos são necessários para que o vento carregue
a folha de uma árvore até o chão? Quantos apertos de mão, abraços e beijos são
dados ao redor do mundo durante um minuto? E por fim, qual é o tempo que ainda
resta para que eu consiga ser tudo aquilo que ainda não fui e quis ser para
alguém?
Abro uma caixinha e deposito ali um
relógio, mas meu corpo inteiro dói quando ouço o tic-tac que ele faz. E nesses
dias cinzas em que o vento frio congela tudo aqui dentro, torna-se tão perene a
tristeza e o eco da solidão que ecoa por todos os lados, mesmo se eu estivesse
no meio de uma avenida movimentada.
Repasso a história pela milésima
vez, e encontro-me sentada com as mãos desoladas pensando em tudo o que poderia
ter feito e não fiz, em tudo o que poderia ter sentido e não senti, em todos os
momentos felizes e singelos que poderia ter transmitido e não transmiti. Será
que ainda tenho esse tempo para desperdiçar? E o peso da sua saudade, da dor,
da sua ausência e do meu coração com uma tonelada de tristeza, amor, sonhos e
esperança, onde, afinal, guardarei?
Sinto-me como um réu em um tribunal,
no meio do júri sendo julgada pelos crimes que eu, infelizmente, não cometi.
Esse sim um crime inafiançável.
[Maria
Isabel]
Nenhum comentário:
Postar um comentário