Há quem prefira observar o passar dos dias através dos
meses, mas eu sempre fui guiada pelas estações do ano. Oriento meus sentimentos
por cada estação, embora prefira o outono, espero sempre a primavera chegar
para plantar um girassol. As estações do ano estão um pouco diferentes por
aqui, talvez em uma tentativa de se enquadrar com os sentimentos aqui dentro. A
primavera chegou há poucos dias, mas nos últimos fins de tarde ainda pude tomar
um chá olhando o pôr-do-sol. E enquanto aquela fumacinha branca vai subindo eu consigo
ver nela todas as lembranças. Mas por saber que é inesquecível, não me dou o
direito de se quer tentar esquecer.
Enquanto mantenho minha cabeça ocupada ou dou risada das
minhas amigas por serem exatamente do jeito que elas são, torna-se mais fácil
aliviar o peso da saudade. Mas é sempre mais difícil na hora do pôr-do-sol.
Naquele segundo antes do céu ficar laranja e depois ir se misturando com as
nuvens e vir àquela outra cor que de tão bonita me dá vontade de chorar.
E esse mesmo sol faz com que eu lembre aquele outro
sol sobre nós dois na beira do mar. Você rindo porque eu falava sem parar que
todo problema que a gente carrega lá no nosso interior se dissolve ao observar
o mar. Eu rio de você por não querer molhar os seus pés no oceano. E você ri de
mim por apenas poder molhar os meus pés, quando na verdade queria me perder nas
ondas.
E mais uma vez, esqueço de esquecer. E lembro mais uma
vez. Só para esquecer os nossos momentos de dor, e sempre te lembrar com
ternura, mesmo durante o pôr-do-sol.
[Maria Isabel]
[Maria Isabel]
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